NotíciaPolítica

Fátima Mimbire alerta para “erro estratégico” da Frelimo no processo contra Venâncio Mondlane

5views

 

A analista política e ativista social Fátima Mimbire considera que a decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de instaurar um processo contra Venâncio Mondlane representa “um erro estratégico” para a Frelimo e para o Presidente Daniel Chapo, afirmando que a medida pode ter o efeito contrário ao pretendido e transformar o líder do Podemos numa figura política “ainda mais forte e incontornável”.

Em declarações públicas partilhadas nas suas plataformas, Mimbire argumenta que as acusações contra Mondlane, que surgem num momento em que o país se encontra em tensão política após os protestos de 2024, parecem visar “acabar com a sua carreira política” e “impedi-lo de concorrer nas próximas eleições gerais”. Para a analista, a opção de “judicializar” a disputa política, em vez de seguir uma via negocial ou de diálogo, revela uma mudança de estratégia no seio do partido no poder.

“É interessante que, contrariamente à via negocial usada outrora, Chapo escolheu a perseguição política por via judicial. Agora faz todo o sentido ter a antiga Procuradora no gabinete presidencial”, afirmou Mimbire, numa alusão ao papel da PGR em casos de elevado impacto político.

A ativista lembra que a Procuradoria-Geral da República tem sido frequentemente acusada de agir como “instrumento de repressão” ao serviço da Frelimo, e questiona até que ponto o sistema judicial aceitará assumir o que classifica como “serviço sujo”. “Será interessante ver que juiz vai aceitar fazer esse trabalho”, ironizou, destacando que os tribunais foram “fragilizados e qualquerizados” no contencioso eleitoral de 2023, quando enfrentaram fortes pressões durante a resolução de disputas relacionadas com os resultados.

Mimbire foi mais longe ao considerar que qualquer tentativa de deter, julgar ou condenar Venâncio Mondlane poderá fortalecer a sua imagem e alimentará a perceção de que ele está a ser alvo de “perseguição política”. “Se avançar este processo e o VM for detido, julgado e condenado, ele será ainda maior. Porque todos sabemos que não é sobre justiça, mas sobre rancor e mágoa”, disse, acrescentando que tal cenário poderia até “transformá-lo num Mandela ou num Gandhi moçambicano”, caso venha a ser preso e, por exemplo, faça greve de fome como forma de protesto.

A analista também advertiu que “qualquer tentativa de silenciar Mondlane pode torná-lo um herói popular”, relembrando como figuras como Joana Simeão, Uria Simango e André Matsangaíssa acabaram por ganhar um lugar na história alternativa de Moçambique, mesmo após perseguições e mortes.

Num tom crítico, Mimbire propôs um caminho diferente para a Frelimo: “O melhor que a Frelimo pode fazer hoje e urgentemente, sobretudo Chapo, é envergonhar o VM e todos os seus apoiantes. Mudar, pôr este país nos carris, fazer o delivery de serviços de qualidade, redistribuir justamente a renda e a riqueza do país, dar dignidade à população. Assim, nas urnas, o povo vai escolher a Frelimo e o seu candidato, envergonhando o VM. Doutro modo, there is no way para Frelimo!”

Concluindo, Fátima Mimbire afirma que Venâncio Mondlane já é “uma figura colossal e incontornável” na política nacional, e que o processo judicial, em vez de enfraquecê-lo, poderá amplificar o seu impacto “não apenas em Moçambique, mas em toda a região e na arena internacional”.

Leave a Response