Ziqo critica agente dos “Kadodas” e alerta: “Arrogância pode comprometer a carreira dos miúdos”
O cantor e compositor moçambicano Ziqo, conhecido como “O Maboazuda”, manifestou a sua indignação em relação ao agente dos famosos meninos “Kadodas”, Celso, durante a sua participação no programa Fred Jossias Show, na Tua TV. O artista, que esteve no programa para divulgar o seu mais recente videoclipe intitulado “Kadoda”, revelou que enfrentou grandes dificuldades para contar com os jovens dançarinos no projeto, apontando a postura do agente como “arrogante e prejudicial para o futuro dos rapazes”.
Ziqo explicou que a sua intenção era homenagear a cultura Kadoda, originária da província de Niassa, integrando os meninos que popularizaram o estilo no videoclipe da canção. No entanto, segundo o artista, o agente Celso “barrava” qualquer tentativa de colaboração, exigindo dinheiro sem sequer estipular um valor concreto e, ao mesmo tempo, proibindo os jovens de participarem nas gravações. “O que eu queria era fazer algo bonito, que elevasse a nossa cultura e mostrasse os Kadodas para o mundo. Mas, infelizmente, deparei-me com barreiras que não faziam sentido. O agente deles só dizia que os meninos não podiam, sem apresentar soluções, apenas bloqueando tudo”, lamentou Ziqo.
Diante dos entraves, o cantor revelou que precisou trazer outros dançarinos diretamente de Niassa, arcando com as despesas de transporte para Maputo, enquanto os meninos mais conhecidos Famosinho e Parte Pedra estavam na capital, mas impedidos de participar por decisão do seu agente. Para Ziqo, esta postura pode ter consequências graves. “Esse comportamento arrogante pode acabar com a carreira desses miúdos. Eles têm talento, têm potencial, mas estão a ser mal geridos. E o que eu vejo é que, em vez de impulsionar os meninos, esse agente está a fechá-los num círculo perigoso que só vai atrasar o crescimento deles”, alertou.
O caso abre novamente o debate sobre a profissionalização da gestão de carreiras artísticas em Moçambique, sobretudo entre jovens talentos emergentes. Muitos artistas, como os meninos Kadodas, ganham popularidade de forma espontânea nas redes sociais, mas acabam por depender de intermediários que nem sempre têm visão estratégica ou capacidade de negociar oportunidades de forma equilibrada. Para Ziqo, a solução passa por mais diálogo, transparência e, sobretudo, respeito pelo talento. “O Kadoda é nosso, é do povo, e ninguém devia usar a cultura para erguer muros em vez de pontes”, concluiu.












