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Liberdade de imprensa ameaçada: MISA denuncia agressões a jornalistas em Cabo Delgado

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O Capítulo Moçambicano do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA Moçambique) veio a público nesta semana denunciar sérias violações contra a liberdade de imprensa na província de Cabo Delgado. Segundo a organização, um grupo de 16 jornalistas nacionais foi alvo de intimidação, tortura psicológica e confisco de equipamento por parte de agentes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no distrito de Macomia, enquanto desempenhavam funções profissionais.

Os profissionais de imprensa estavam em missão de cobertura jornalística naquela zona norte do país, fortemente marcada por conflitos armados e ações terroristas nos últimos anos. De acordo com o MISA Moçambique, os jornalistas foram submetidos a interrogatórios excessivos, sofreram restrições à sua liberdade de movimento e viram os seus dispositivos eletrónicos, como câmaras e telemóveis, confiscados sem qualquer mandado ou justificação legal. A organização alerta que tais ações não apenas violam os direitos fundamentais dos jornalistas, como também constituem um atentado à democracia e à liberdade de expressão.

Em nota oficial, o MISA condena veementemente a atitude das autoridades e exige que o governo tome medidas imediatas para responsabilizar os autores das intimidações. “A presença dos jornalistas em Macomia visava informar o público sobre os acontecimentos naquela região. Impedi-los de exercer seu papel é ferir gravemente o direito do povo à informação”, lê-se no comunicado. A organização sublinha ainda que este não é um caso isolado e que vem monitorando um crescente ambiente de hostilidade contra jornalistas que tentam cobrir temas sensíveis no país.

A denúncia gerou uma onda de indignação entre organizações da sociedade civil, sindicatos de jornalistas e cidadãos, que apelam por um debate urgente sobre a proteção dos profissionais da comunicação em contextos de conflito. Muitos questionam até que ponto o sigilo e o controle militar em zonas como Cabo Delgado têm sido usados para ocultar violações dos direitos humanos.

Este episódio levanta preocupações sobre o ambiente cada vez mais hostil para o jornalismo independente em Moçambique, particularmente em regiões sob forte presença militar. O MISA reafirma seu compromisso em defender a liberdade de imprensa e exige que os jornalistas recebam as garantias necessárias para exercerem seu trabalho com segurança, dignidade e sem interferência.

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