Quase 60.000 deslocados em Moçambique após onda de ataques violentos no norte do país
Moçambique enfrenta uma grave crise humanitária no norte do país, com quase 60.000 pessoas deslocadas em apenas duas semanas devido a uma série de ataques atribuídos a combatentes ligados ao grupo ISIL. A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta sobre a situação, que tem forçado milhares de famílias a abandonarem suas casas em busca de segurança, especialmente na província de Cabo Delgado.
Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), entre 20 de julho e o momento atual, 57.034 pessoas equivalentes a 13.343 famílias foram deslocadas, com o distrito de Chiúre sendo o mais afetado, contabilizando mais de 42.000 pessoas forçadas a fugir. Mais da metade dos deslocados são crianças, o que agrava a vulnerabilidade do grupo.
Paola Emerson, chefe do escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em Moçambique, informou que cerca de 30.000 deslocados já receberam assistência básica, incluindo alimentos, água, abrigo e outros itens essenciais. No entanto, a resposta humanitária permanece insuficiente diante do aumento das necessidades, agravada por cortes no financiamento internacional. O plano de resposta da ONU para 2025 recebeu até agora apenas 19% dos recursos solicitados, limitando a capacidade de apoio às populações afetadas.
Além das necessidades básicas, organizações como a OIM e a Human Rights Watch destacam riscos de proteção significativos para os deslocados. A falta de documentação, realocações forçadas e o sequestro crescente de crianças pelo grupo armado utilizadas como combatentes, para trabalho forçado ou casamentos são situações que configuram graves violações de direitos humanos e crimes de guerra.
O conflito em Cabo Delgado é prolongado, com cerca de oito anos de insurgência protagonizada pelo grupo al-Shabab, que já causou mais de 6.100 mortes. Tropas de Ruanda foram enviadas para apoiar o governo moçambicano na luta contra os insurgentes. A violência também tem impacto direto na economia regional, especialmente no setor de gás natural. A TotalEnergies, que suspendeu suas operações em 2021 devido à instabilidade, planeja retomar o seu projeto de US$ 20 bilhões ainda este ano, refletindo a importância estratégica da região.











